Perda Auditiva e Otite em Escolares de Belo Horizonte
I Estudo Epidemiológico em Saúde Escolar de Belo Horizonte
Objetivos:
Esta pesquisa interdisciplinar que também investigou outros temas de saúde escolar (cefaléia, nutrição, hipertensão arterial, acidentes) realizou um diagnóstico da audição e das patologias otológicas em uma amostra representativa da população escolar de Belo Horizonte através da determinação da prevalência de perda auditiva, de alterações á otoscopia, principalmente de otites e otorréia. Avaliou-se a prevalência de cirurgias otorrinolaringológicas, o número de escolares que já consultaram um otorrinolaringologista e a percepção do escolar quanto á perda auditiva.
Metodologia:
Entre setembro de 1993 e junho de 1994 foi realizado um estudo epidemiológico observacional, em corte transversal, sobre assuntos relacionados a saúde escolar em uma amostra de 1305 estudantes ( 1119 elegíveis ) selecionados de um universo de 486.166 alunos regularmente matriculados em uma das 11 séries do primeiro e segundo graus das 521 escolas públicas e particulares de Belo Horizonte ( MG – Brasil ) . O processo de amostragem adotado conferia a todos os estudantes da cidade a mesma chance de serem sorteados para participar da pesquisa, garantindo assim a plena representatividade da amostra. O nível de participação foi de 89,8% dos estudantes elegíveis, sendo estudados 1.005 estudantes (512 alunos e 493 alunas) com idade entre 6 e 18 anos de idade. Consentimento expresso foi obtido dos estudantes (maiores de 16 anos ) ou dos pais ( menores de 16 anos ).
Através de entrevista pessoal e individual de um dos otorrinolaringologistas e pediatras da equipe com um dos pais ou responsável pelo aluno (ou com o próprio aluno quando maior de 16 anos) foram coletados dados completos de identificação, pessoais, demográficos, familiares, sócio- econômicos e de antecedentes pessoais, além das questões específicas sobre problemas de auditivos e otológicos que incluíam histórico de infecções otológicas na infância, cirurgias otorrinolaringológicas, consultas ao otorrinolaringologista e da perda auditiva. A otoscopia foi realizada com otoscópios Mini-Heine e a avaliação audiométrica com o AudioScope 3 TM com intensidade de 25dB, em ambiente( sala de aula) respeitando o ruído de fundo máximo de 50dB, medido por decibelímetro. O questionário e os procedimentos básicos do protocolo de exame foram testados previamente em um teste piloto em duas escolas.
Resultados: A prevalência de perda auditiva foi de 16,8% e a otite média crônica de 0,94%. Cerume obstruindo o conduto auditivo externo foi achado em 12,3% dos escolares que também apresentaram prevalência de 10,5% de alterações (excluindo o cerume) ao exame otoscópio. Foram encontrados 8,3% de escolares com história de otites e 7,7% com história de otorréia.
Estes dois grupos especiais apresentaram associações estatisticamente significativas com perda auditiva, otite média crônica e cirurgias otorrinolaringológicas (quando comparado com os outros escolares). A prevalência de cirurgia foi 4,9%, sendo a adenoidectomia (1,5%) e a amigdalectomia (1,2%) as mais freqüentes. 20,8% procuravam consulta com um otorrinolaringologista e a percepção da perda auditiva foi encontrada em 7,4% dos escolares. Os pais e os próprios escolares se mostraram significativamente capazes de identificar escolares com história de infecções otológicas na infância e com perda auditiva.
Resumo da Tese do Professor Otorrinolaringologista Ricardo Neves Godinho da PUC Minas.

