Home » Na Voz » Entrevista com a fonoaudióloga Fernanda Catisani

06
dez

Entrevista com a fonoaudióloga Fernanda Catisani

Postado por editor em 6 de dezembro de 2010

Fernanda Catisani

Em entrevista, a fonoaudióloga Fernanda Catisani, Especialista e Mestre em voz, relatou sobre suas experiências:

1-Onde e quando você se formou?

Me graduei na PUC-MG no primeiro semestre de 2006.

2-Porque você escolheu o curso de Fonoaudiologia e a área de voz?

Quando criança tinha como objetivo trabalhar na área da saúde, no entanto, já havia excluído a área da medicina.  Aos 15 anos, ainda na dúvida, realizei o teste vocacional, que deixou bem claro a vocação para áreas práticas como engenharia e área da dança e teatro. Como sabia que queria trabalhar na área da saúde, comecei a ler livros sobre o que fazem em cada profissão e descobri a área da fonoaudiologia. O que mais me chamou a atenção foi o fato de ter a frase expressa no livro “Gostar de comunicar”. A partir disto, comecei a avaliar a possibilidade de ser fonoaudióloga. Me apaixonei pelas diferentes formas de expressar e pelo desafio de ajudar alguém a modificar e aperfeiçoar a comunicação.

3-Fale sobre a sua formação no geral:

Como já disse me formei em Fonoaudiologia na PUC-MG, realizei a Pós-graduação, logo que me formei, na mesma instituição, na área de Voz e concluí a especialização no final de 2007. Em 2008 iniciei o meu mestrado na área da Fonoaudiologia, na linha de Voz: Avaliação e Intervenção na PUC-SP, e concluí recentemente, em julho/2010.

4-Qual a maior demanda do seu consultório?

No consultório, a maior procura é de mães que levam crianças com distúrbios de fala (transtornos fonéticos e fonológicos), atraso de linguagem e gagueira do desenvolvimento. Em adultos, a maior procura é de pessoas com alterações vocais e afasias.

5-Em relação aos problemas vocais, o que mais aparece em seu consultório?

Os problemas vocais mais comuns em meu consultório são os nódulos vocais, seguido das alterações vocais ocorridas por refluxo laringo-faríngeo e dificuldades no canto.

No consultório, temos diferentes queixas de cada paciente, o que faz com que o tratamento seja individual e específico para cada caso. Dificilmente vemos uma lesão em pregas vocais com uma mesma queixa. Normalmente, a questão vai depender da profissão de cada um e o que o levou a procurar o atendimento. Realizo atendimentos tanto particulares quanto de convênios a qualquer alteração de voz. Normalmente, a maior procura por atendimentos parte de professores, a segunda maior procura é de voz profissional, seguida ou não de lesão em prega vocal, como é o caso de cantores e advogados e por último, as lesões neurológicas (como Doença de Parkinson ou mesmo paralisia de pregas vocais).

6-Qual foi o tema da sua monografia, e por quê?

Realizei duas monografias, uma na graduação e outra na especialização.

Na monografia da graduação, orientada pela Professora Ana Paula Gasparini, realizei um estudo com o objetivo de descrever a conduta fonoaudiológica através do relato de um caso clínico atendido no Centro Clínico de Fonoaudiologia com queixa de parestesia após cirurgias de terceiro molar inferior. Optei por esta pesquisa após ter visto melhora no consultório e não ter encontrado nada à respeito em publicações.

Na especialização, o estudo foi feito em cima de uma proposta realizada inicialmente no mestrado da professora Doutora Luciana Lemos de Azevedo, que sob sua orientação e teve como objetivo verificar a influência do uso do medicamento Levodopa na tessitura vocal de indivíduos com Doença de Parkinson.

7-Qual foi o tema da sua dissertação do mestrado, e por quê?

Seguindo a trajetória de estudos em alterações neurológicas, inicialmente tinha como objetivo realizar uma pesquisa que descrevesse a prosódia em indivíduos com afasia de Broca, assunto este que me impressiona. No entanto, tive dificuldades em manter este foco e mudei totalmente a abordagem. Minha dissertação teve como objetivo investigar os valores da freqüência fundamental em um grupo de crianças mineiras, de ambos os sexos, nas faixas etárias entre 8 e 10 anos, sem alteração vocal percebida auditivamente. A faixa etária pesquisada encontra-se na maior fase de disfonias e lesões em pregas vocais. Apesar das pesquisas com foco na voz infantil terem aumentado nos últimos anos, o conhecimento da voz nessa faixa etária ainda é escasso. A utilização do laboratório de voz na extração da freqüência fundamental das crianças sem alterações vocais, pode-se estabelecer um padrão de voz específico à criança e assim, auxiliá-la melhor na fase do desenvolvimento.

8-Na área de voz como a fono trabalha a performance  comunicativa?

O Fonoaudiólogo pode se basear, inicialmente, no conceito básico do que é voz, ou seja, fluxo de ar somado ao fechamento de pregas vocais que determinará a voz que escutamos. Com base nestes princípios, são realizadas as diferentes avaliações que darão o fundamento do plano terapêutico. Ao aperfeiçoar a comunicação, o fonoaudiólogo ainda terá como embasamento os conceitos da expressividade e sua atuação se diferenciará de acordo com a atuação profissional de cada um.  A expressividade envolve recursos verbais, ou seja, a palavra e a voz. Suas avaliações envolvem respiração, articulação, entonação, pausas, psicodinâmicas, ressonâncias, prosódias, ritmo/velocidade e projeção/volume, enquanto a expressividade não verbal envolve a expressão facial, gestos e posturas. Após o levantamento do que é necessário aperfeiçoar de acordo com o objetivo do paciente, o fonoaudiólogo traça as propostas de plano terapêutico que poderão ser mudadas de acordo com o andamento de cada sessão.

9-Quais os cuidados básicos para ter uma voz saudável?

As exigências do mundo moderno, o estímulo à competição e o estresse são causas importantes do aumento de incidência de distúrbios vocais, tanto em crianças como em adultos. Algumas orientações são fundamentais para preservar a saúde vocal, no entanto, deve-se lembrar que indivíduos com lesões em pregas vocais ou com disfonia precisam de orientações mais detalhadas e de cunho individual. Umas das orientações mais importantes serão destacadas por mim. Por exemplo, a hidratação deve ocorrer regularmente e ser mais consumida em dias quentes, pois ela permite uma melhor movimentação das pregas vocais, assim como articulação das palavras. A alimentação saudável é fundamental não somente para a voz. A ingestão de alimentos que deixam a saliva mais espessa, como derivados do leite, deve ser consumida em horários em que não exigirão uma grande demanda vocal. Alimentos adstringentes, como por exemplo, a maçã e a laranja, causam o inverso, ou seja, permitem uma melhor movimentação da musculatura responsável pela articulação. No entanto, devem-se observar com detalhes os alimentos cítricos, pois em alguns indivíduos pode proporcional o refluxo gastro-esofágico, assim como o excesso de alimentos gordurosos e condimentados. Alguns hábitos são extremamente prejudiciais, como por exemplo, o cigarro, consumo de álcool, gritar ou falar alto, principalmente em ambientes com poluição sonora, uso de pastilhas que mascaram a sensação da laringe, exercícios físicos associados à fala, pigarro, roupas apertadas na cintura ou no pescoço. Outros hábitos devem ser observados, pois pode ser prejudicial para algumas pessoas enquanto não alteram a voz de outras pessoas, como é o caso do ar condicionado e ingestão de alimentos ou líquidos em temperaturas extremas. Deve-se evitar falar em casos de quadros gripais ou crise alérgicas.

10-O que é necessário para trabalhar na área de voz além da graduação?

Acredito que o aperfeiçoamento do profissional fonoaudiólogo para trabalhar na área de voz facilitará o atendimento aos diferentes pacientes. Acredito que noções básicas de música, um bom treinamento auditivo, compreensão de expressividade verbal e não verbal, noções de análise acústica, assim como os diferentes protocolos de avaliações são fundamentais para trabalhar na área.

11-Qual a relação da família no tratamento dos pacientes, e qual a importância desta relação?

A família tem fundamental importância, não só no atendimento com crianças, como também para adultos. Os familiares são responsáveis por ajudar e auxiliar o paciente em definir rotinas de exercícios em casa, além de darem o apoio que é necessário e possibilitar o feedback tanto para o paciente quanto para o profissional fonoaudiólogo.

12-O que deve ser feito para ser mais divulgada a profissão da Fonoaudiologia?

Normalmente, a primeira pessoa a ter contato com o paciente que necessita de atendimento fonoaudiológico é o médico. É ele quem autoriza e encaminha o paciente para as sessões fonoaudiológicas do convênio. Acho fundamental informá-los sobre nosso atendimento para que o indivíduo seja bem assistido na área fonoaudiológica.

As escolas também devem ter uma maior divulgação, para que os alunos possam minimizar ou eliminar as alterações pendentes através do encaminhamento dos professores.

13-Qual dica que você da para os alunos de Fonoaudiologia que pretendem se especializar em voz?

Somente se especializem em Voz se realmente tiverem dentro de vocês o amor pelas diferentes formas de se expressar uma mesma palavra.


Sobre o autor:


Comentarios


↑ Ir Para Topo Da Página

7 Comentários para Entrevista com a fonoaudióloga Fernanda Catisani

  1. Cláudia Rocha disse:

    Já consultei com esta fonodiologa,e ela é uma exelente profisional.Eu acho muito importante que todos se preocupem com a saúde da voz, principalmente eu como professora.Recomendo uma consulta na Neo Clinic Belo Horizonte com Fernanda Catisani!

  2. Sophia disse:

    Acho de muita importância, a dedicação que a fonodiologa Fernanda Catisani tem a sua profissão e a melhoria e desempenho de seus pacientes.Em minha opinião, Fernanda Catisani é uma ótima profissional e amiga!

  3. Arthur disse:

    Nanda é uma fonodiologa muito boa, que desde que eu nasci, vem me ajudando a melhorar a minha fala.Eu nasci com labio leporino, e Fernanda, foi uma das pessoas que mais me apoiaram e me ajudaram a melhorar a minha fala!

  4. Fernanda Catisani disse:

    Obrigada pelo reconhecimento e o carinho. Abraços.

  5. CRISTINA disse:

    PARABENS, PELA ENTREVISTA, FERNANDA VC E UMA EXCELENTE POFISSIONAL, MUITO DEDICADA, TODOS DEVERIAM SER E ESCOLHER A PROFISSAO QUE REALMENTE SE IDENTIFIQUEM COM O SEU CARINHO.

  6. Lucas disse:

    Oi Fernanda! td bem?
    gostaria de estar me comunicando com vc
    Tenhu gagueira desde de criança
    isso me atrapalha muito..principalmente no meu cotidiano
    gostaria de saber se vc poderia estar me ajudando d alguma forma
    como faço pra ter uma consulta on-line sua?se possivel..

  7. REGILANIA RODRIGUES NOBRE disse:

    LEGAL! GOSTEI MUITO DA ENTREVISTA. JA PENSEI MUITO EM FAZER FONOAUDIOLOGIA, POIS ACHO QUE TEM HAVER UM POUCO COMIGO POIS SOU MUITO COMUNICATIVA. GOSTO MUITO DE FALAR. EU ACHO QUE SAIRIA BEM! HOJE FAÇO NUTRIÇAO, GOSTO TAMBEM DO CURSO. MAS AS VEZES FICO EM DUVIDA SE ESSE E MESMO O CURSO CERTO PARA MIM. POIS SEMPRE FOI O QUE EU QUE QUERIA. NO COMEÇO NUNCA TINHA PENSADO EM FAZER FONO. A IDEIA SURGIU AGORA QUE ESTOU COM 1 ANO NA FACULDADE!

Deixe um comentário

Nome (obrigatório)

E-mail (Não sera publicado) (obrigatório)

Site

Mensagem